
Ontem resolvi fazer algo legal, ver a lua aparecer e trazer depois o sol. Então fiquei acordado a noite toda, ora escrevendo, ora lendo. Minha companhia estava programada para uma, mas foi outra. Passei a noite na companhia do Nietzsche, lendo as maravilhas de sua Gaia Ciência.
Não estava sozinho, estava acompanhado de mim mesmo, porque solidão é isso, é estar consigo mesmo e mais ninguém. Então fiquei pensando na pessoa amada que não estava comigo como planejado, mas confesso que amei a surpresa que a noite fez para mim, me apresentou a mim mesmo. Refleti sobre tudo que não refletia. E no meio da leitura, enquando a lua ainda era minha companhia inesperada, e eu esperando a outra que de fato queria, Nietzsche me disse isso: “…não quero morrer de impaciência e de gozo antecipado à espera das coisas prometidas” (Aforismo nº 287), foi como se eu ouvisse a sua voz (e olha que nem sou Nietzschiano). Me senti tão bem, e suportei a dor da espera, que naquele momento não se tornou mais dor, a espera agora era meu bálsamo. Para falar a verdade eu nem esperava mais, aprendi a não esperar e nem buscar, amo agora cada segundo do presente, e cada momento sozinho (acompanhado de mim mesmo), mas amarei também o momento com a pessoa esperada ( que eu esperava).
Sim, a noite era linda. Havia estrelas e até contei algumas, mas a lua estava simplesmente linda, parece que havia se “vestido” para mim, era a coisa mais bela, e como dizia Shakespeare “o brilho mais puro do diamante era perto dela como lama” (Sonhos de uma noite de verão).
E talvez vocês já tenham notado que quando a gente senta para nos ouvir, a gente chora. É tão triste ouvir a nós mesmos, a gente ouve cada coisa e agente por vezes descobri que não se ama. E de fato eu tinha um peso sobre mim nessa noite. Frustração, dúvidas, cansaço … nostalgia, tanta coisa gente!
Mas essas foram as coisas que aconteceram enquanto eu esperava a pessoa amada na companhia da lua que se enfeitou para mim. Obrigado lua, mas não queria você! Acho que por isso ela foi logo embora, a noite passou muito rápido. A lua falando comigo, usando as estrelas para chamar minha atenção e eu, esperando a amada…conversava com Nietzsche, e sentia o peso de mim mesmo.
Pronto, a lua foi embora percebendo que eu não queria nada, mas não me deixou sozinho, trouxe consigo o sol. Mas antes de trazer o sol, a lua ainda me fez um favor, um enorme bem, levou com ela todas minhas preocupações, ansiedades, dúvidas … só não levou o amor pela pessoa amada que eu esperava, obrigado lua. Além de levar consigo as coisas ruins que ela viu eu passando a noite, ainda trouxe o sol, que esquentou meu rosto, me despertou, me iluminou e disse: É chegado um novo dia … levantai a cabeça!
E foi assim…aqui estou eu, vivendo este dia. Com minha insustentável leveza do ser… feliz! Obrigado lua, obrigado sol!
Nesta mesma noite, a minha solidão teve a tua presença… Estive sozinha por escolha da alma, só porque a vida deu ao meu tempo algumas tristezas. Frustrações, decepções, assim como tu que esperou… e me esperou.
E também percebi que as vezes esperar é tudo o que temos. Porque precisamos dar tempo a vida, parar e refletir nas coisas doloridas, reviver pequenas felicidades que o momento ainda nos intriga. A noite e o dia nos dão pautas, e muitas vezes só lhe damos o silêncio sem alguma graça, sem sentido para ser escrito.
Hoje, não valho nada, porque amanhã espero o tudo… Mas não é isso que me dará a insustentável leveza do ser… Será ainda hoje crer, que de uma lágrima posso gerar uma esperança ou que de um sorriso diante do espelho, tenho todo o carinho que preciso!
E quando nada disso tenho… pereço, mas não adormeço sem contar as horas para mudar um dia de minha vida… e não amanheço sem deixar que as expectativas reservem minha noite, para ser linda – e quem sabe, linda porque você foi minha sina?

“E talvez vocês já tenham notado que quando agente senta para nos ouvir, agente chora. É tão triste ouvir a nós mesmos, agente ouve cada coisa e agente por vezes descobri que não se ama.”
Achei incrível isso… Nunca havia parado pra pensar.
Lindo, meu Tio.
Você é o meu escritor favorito! ;p
=*
É a mais pura verdade o que disse no seguinte trecho:
“E talvez vocês já tenham notado que quando agente senta para nos ouvir, agente chora. É tão triste ouvir a nós mesmos, agente ouve cada coisa e agente por vezes descobri que não se ama. E de fato eu tinha um peso sobre mim nessa noite. Frustração, dúvidas, cansaço … nostalgia, tanta coisa gente!”
Enfim, é assim que me sinto na maior parte do tempo!
Mas a cada dia se renovam as esperanças.
…Nossa!!!
É incrivel quando fazemos uma reflexao sobre nos mesmos…
Como diz o trecho:
E talvez vocês já tenham notado que quando a gente senta para nos ouvir, a gente chora. É tão triste ouvir a nós mesmos, a gente ouve cada coisa e agente por vezes descobri que não se ama. E de fato eu tinha um peso sobre mim nessa noite. Frustração, dúvidas, cansaço … nostalgia, tanta coisa gente!
É a mais pura verdade….As vezes isso acontece comigo e nunca tinha me dado conta do que de fato isso seriaaa….
Waguinhoo…continue…vc é um grande escritor..
Bjuss